terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desesperança

Um espasmo no escuro
E um choro inaudível.
As entranhas putrefatas
Dos grandes sonhadores
Jogadas aos cães.
Sobre o que é seco
Tudo que nasce já está morto.
Fomos jovens,
Não mais somos.
Fomos vivos,
Nos sentimentos mais profundos
Do amor, não resta nada
Mas a depressão mais intensa
Nos tornava reais
Na solidão de nós mesmos.
Em algum tempo fomos vivos
E morremos sem perceber
que à cada dia,
à cada passo em falso
Caíamos de joelho e
Escoriamos nossas esperanças.
E a alma
Que disseram à tudo suportar
E a alma
Que sobreviveria ao pior mal,
Morre aos poucos nas noites frias,
Morre um pouco nos amores falsos,
Morre mais um pouco e mais um tanto.
E quando abrimos os olhos
E tentamos nos levantar,
Quando abrimos os olhos
Pra nos reerguer das cinzas,
Estamos sob o solo mais seco
Tentando viver dos restos
De algo que nunca foi real.



[Eu não sou hipócrita, não amo pela metade]

2 comentários:

  1. Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
    E o coração me rasga atroz, imensa,
    Eu a bendigo da descrença, em meio,
    Porque eu hoje só vivo da descrença.

    À noute qunado em funda soledade
    Minh’alma se recolhe tristemente,
    P’ra iluminar-me a alma descontente,
    Se acende o círio triste da Saudade.

    E assim afeito às mágoas e ao tormento,
    E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
    Para dar vida à dor e ao sofrimento,

    Da saudade na campa enegrecida
    Guardo a lembrança que me sangra o peito,
    Mas que no entanto me alimenta a vida.
    (saudade - Augusto dos Anjos)
    *****
    Se tiver um tempo procure pelos poemas desse poeta aí em cima, algo me diz que vc vai gostar dele...

    Gostei do poema!

    Beijos

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