As moscas se uniram
E da merda planejam
Acabar com os anjos...
Desamarrem os pés das pombas,
Meus olhos secam
Diante de tanta maldade.
Deem-lhe novas asas,
Despencarei ao seu lado..
Arrancarão meus dentes,
Água escorrerá,
Fazendo dos campos, lama.
O verde há de se esconder
Entre carrancas de bronze,
E joelhos doloridos;
Ouvidos vão zunir..
Devolvam-me a alegria! Ela me pertence!
Meus olhos estão borrados,
Isso não é nada,
Um pequeno ralado nos pulmões;
Não é nada, mesmo..
As ruas estão fechadas,
Parece-me um velório.
Malditos! Estão envelhecendo!
Seus amores sofrerão de Alzheimer..
Malditos serão seus nomes!
Isso não é nada, perto do resto..
Vejo você em meus sonhos,
Cada vez mais bela,
Mais pálida, mais nua..
Coloco-a num pedestal torto
E a glorifico como à um anjo morto.
Entre cavalos, aflitos,
Com ódio no olhar e sangue nas veias,
Suas glórias me colocam de joelhos...
Fazei de mim, fiel, meu Deus!
Fazei de mim, fiel e
Colocai-me em cultos vazios.
Cala-me para sempre, senhor;
E na terra sucumbirá,
Numa caixa cheia de cupins
Meu corpo, inanimado.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
15/11/2012
Dez horas e dois minutos; Uma noite fria.
Nem sempre foi assim.
Até as sombras tremem
Perante a penumbra que cobre a cidade.
O último trago do cigarro queima,
Seguro a fumaça nas entranhas,
Corre-se sempre o risco de ser o último.
Do maço? - Da existência.
Este mundo é escombro de outro
Que um dia aqui existia.
As casas, as crianças - Apenas cimento.
Todas as mulheres são prostitutas
Desesperadas e correndo pelas ruas..
E hão de cair....
Uma nova era surge,
Escorrendo do sangue de outra;
Vamos todos morder a língua
E não vou mais me importar
Se agonizar na beira da estrada;
Atropelado, estuprado; morto.
Endireito-me.
Um cão me segue, triste...
Alimentei-o por muito tempo
Agora terei de pisar em sua cabeça.
O hoje é tarde demais.
Para nós dois, é tarde demais..
Não é que o passado era melhor,
É que não quero me acostumar à essa merda.
Nem sempre foi assim.
Até as sombras tremem
Perante a penumbra que cobre a cidade.
O último trago do cigarro queima,
Seguro a fumaça nas entranhas,
Corre-se sempre o risco de ser o último.
Do maço? - Da existência.
Este mundo é escombro de outro
Que um dia aqui existia.
As casas, as crianças - Apenas cimento.
Todas as mulheres são prostitutas
Desesperadas e correndo pelas ruas..
E hão de cair....
Uma nova era surge,
Escorrendo do sangue de outra;
Vamos todos morder a língua
E não vou mais me importar
Se agonizar na beira da estrada;
Atropelado, estuprado; morto.
Endireito-me.
Um cão me segue, triste...
Alimentei-o por muito tempo
Agora terei de pisar em sua cabeça.
O hoje é tarde demais.
Para nós dois, é tarde demais..
Não é que o passado era melhor,
É que não quero me acostumar à essa merda.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A Lagarta
Adorai porque é sagrada
Minha existência desgraçada.
Me acuda! Me acuda!
Passei a sentir o sangue correr!
Sinto-me em desespero..
Aprendi a sentir o frio,
De dançar sozinho
Num quarto vazio.
Jamais alcançarei algo
Próprio de outros insetos.
As folhas caem, num ritual
Para mim, de nada vale.
Um humano risca um fósforo..
Acordai! Acordai ó Cristãos,
Que há chego a hora.
Levantai e acendei velas para nós;
Que somos feitos de fumaça.
Larvas adentram as narinas,
Mesmo morto, agonizo.
A noite, banquete para as trevas,
A angústia me faz trêmulo,
Assim, cravado em meu nome,
Que é nome de meu pai
E de seu pai, antes dele.
Já não faço parte,
Me alimento de fezes no chão,
Compro as mãos que não me foram dadas.
Adorai porque é sagrado
Ser humano e desgraçado.
Minha existência desgraçada.
Me acuda! Me acuda!
Passei a sentir o sangue correr!
Sinto-me em desespero..
Aprendi a sentir o frio,
De dançar sozinho
Num quarto vazio.
Jamais alcançarei algo
Próprio de outros insetos.
As folhas caem, num ritual
Para mim, de nada vale.
Um humano risca um fósforo..
Acordai! Acordai ó Cristãos,
Que há chego a hora.
Levantai e acendei velas para nós;
Que somos feitos de fumaça.
Larvas adentram as narinas,
Mesmo morto, agonizo.
A noite, banquete para as trevas,
A angústia me faz trêmulo,
Assim, cravado em meu nome,
Que é nome de meu pai
E de seu pai, antes dele.
Já não faço parte,
Me alimento de fezes no chão,
Compro as mãos que não me foram dadas.
Adorai porque é sagrado
Ser humano e desgraçado.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Ninguém se Importa Com o Cão Sem Dono
Ninguém se importa
Se um cachorro velho
Destes que correm ruas frias
À se alimentar de restos,
Morrer à beira da calçada.
Mandíbulas presas, trancadas..
E as pernas à arrastar correntes..
Nadamos pra morrer na praia
E esse é o fim dos dias.
Filhos e filhas do mundo, uni-vos! [Que piada!]
Fedemos tamanho o mau gosto
De ainda caminharmos..
A carniça impregna à distância..
Os pássaros, assustados, voam..
Por ainda caminharmos..
Você será astronauta e eu serei escritor
Num sonho só meu, que guardarei
Com esperança nunca vista por velhos catatônicos.
Mas num instante macabro,
Enquanto você estiver nos céus
Mil foices rasgarão as nuvens,
Para decepar os infiéis..
E você não estará do meu lado
Pra fechar meus olhos enquanto
Meu corpo for dilacerado pela raiva..
Sou incapaz de te odiar por isso.
Ninguém se importa..
Ninguém se importa..
E, se vier me visitar, de lábios rachados
Em uma cama de hospital..
À me alimentar de restos deixados
Por cachorros mortos em dilúvios..
Abraçado pelo mesmo ódio
Que derrubou aqueles antigos penhascos..
Vai encontrar um ser desprezível,
Que nada traz daquela criança amável que fui.
Se um cachorro velho
Destes que correm ruas frias
À se alimentar de restos,
Morrer à beira da calçada.
Mandíbulas presas, trancadas..
E as pernas à arrastar correntes..
Nadamos pra morrer na praia
E esse é o fim dos dias.
Filhos e filhas do mundo, uni-vos! [Que piada!]
Fedemos tamanho o mau gosto
De ainda caminharmos..
A carniça impregna à distância..
Os pássaros, assustados, voam..
Por ainda caminharmos..
Você será astronauta e eu serei escritor
Num sonho só meu, que guardarei
Com esperança nunca vista por velhos catatônicos.
Mas num instante macabro,
Enquanto você estiver nos céus
Mil foices rasgarão as nuvens,
Para decepar os infiéis..
E você não estará do meu lado
Pra fechar meus olhos enquanto
Meu corpo for dilacerado pela raiva..
Sou incapaz de te odiar por isso.
Ninguém se importa..
Ninguém se importa..
E, se vier me visitar, de lábios rachados
Em uma cama de hospital..
À me alimentar de restos deixados
Por cachorros mortos em dilúvios..
Abraçado pelo mesmo ódio
Que derrubou aqueles antigos penhascos..
Vai encontrar um ser desprezível,
Que nada traz daquela criança amável que fui.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
A Pedra
[Primeiramente quero deixar claro que não é um poema..
Não é um dos meus textos, nem nada..
Acho que é uma espécie de desabafo, só]
A Pedra
Tenho um cisto na cabeça.
Em algum lugar no lóbulo frontal..
Se encaixou num espaço onde normalmente, não há nada.
Se instalou ali, se acomodou.
Como eu, apenas um pouco deslocado, na maioria do tempo.
De vez em quando tenta crescer,
Mas não é capaz.
De vez em quando tenta se mover,
Mas não é capaz.
Talvez seja câncer;
Como eu;
Me conhece por dentro,
E de lá, há de me destruir. [aos poucos?]
Quem estará do meu lado então,
Quando o chão resolver que quer
De volta a matéria que peguei emprestada?
Quem há de me ouvir então,
Ao cair da última folha?
Tenho um cisto na cabeça,
Vai me derrubar num dia qualquer..
E então, de vista cega e já paralisado e definhando,
Quem há de chorar?
"Tu és Pedra e sobre ti construirei minha igreja"
Não é um dos meus textos, nem nada..
Acho que é uma espécie de desabafo, só]
A Pedra
Tenho um cisto na cabeça.
Em algum lugar no lóbulo frontal..
Se encaixou num espaço onde normalmente, não há nada.
Se instalou ali, se acomodou.
Como eu, apenas um pouco deslocado, na maioria do tempo.
De vez em quando tenta crescer,
Mas não é capaz.
De vez em quando tenta se mover,
Mas não é capaz.
Talvez seja câncer;
Como eu;
Me conhece por dentro,
E de lá, há de me destruir. [aos poucos?]
Quem estará do meu lado então,
Quando o chão resolver que quer
De volta a matéria que peguei emprestada?
Quem há de me ouvir então,
Ao cair da última folha?
Tenho um cisto na cabeça,
Vai me derrubar num dia qualquer..
E então, de vista cega e já paralisado e definhando,
Quem há de chorar?
"Tu és Pedra e sobre ti construirei minha igreja"
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Ode à Vitória
Não sei do que tratam
As medalhas que carrego no peito.
Me pesam o pescoço,
Preciso deixá-las para trás;
É um fiasco me sustentar
Sobre as pernas de um passado apodrecido.
Aquelas garotas já não me admiram,
O que posso fazer?
Já não quero carregar o amor
Entre ampulhetas quebradas..
Cuspo os dentes fora...
Moedas para as enxurradas;
Lâminas para meus inimigos...
Sobra a alma, jogada em uma sarjeta qualquer.
..
Algumas crianças correm por um jardim,
Falam como crianças, pensam como crianças..
Me aproximo delas,
Quero fazer parte de algo..
Ser criança e correr por um jardim..
Desde que me tornei homem,
Eliminei as coisas de criança..
Hoje vejo face à face..
Já não sou mais criança..
Tampouco aquelas garotas irão me admirar..
E já não sei do que trata
A palavra vitória...
"Por ora restam a Futilidade, a Desistência e o Egoísmo;
A maior delas, porém, é o Egoísmo"
As medalhas que carrego no peito.
Me pesam o pescoço,
Preciso deixá-las para trás;
É um fiasco me sustentar
Sobre as pernas de um passado apodrecido.
Aquelas garotas já não me admiram,
O que posso fazer?
Já não quero carregar o amor
Entre ampulhetas quebradas..
Cuspo os dentes fora...
Moedas para as enxurradas;
Lâminas para meus inimigos...
Sobra a alma, jogada em uma sarjeta qualquer.
..
Algumas crianças correm por um jardim,
Falam como crianças, pensam como crianças..
Me aproximo delas,
Quero fazer parte de algo..
Ser criança e correr por um jardim..
Desde que me tornei homem,
Eliminei as coisas de criança..
Hoje vejo face à face..
Já não sou mais criança..
Tampouco aquelas garotas irão me admirar..
E já não sei do que trata
A palavra vitória...
"Por ora restam a Futilidade, a Desistência e o Egoísmo;
A maior delas, porém, é o Egoísmo"
sábado, 27 de outubro de 2012
Saudade
Um pedaço teu conservo
Incapaz de me despedir,
Nos horizontes observo
Minhas torres à ruir..
[Vou postar arranjos curtos para Piano;
Senti saudade de compor algo
E tá tudo abandonado aqui..
Uma homenagem à distância...]
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