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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Oco

Tomo-te por minhas dores,
do ventre, morto o caule,
Tomo-te por minhas dores.
Cegos sentimentos me cobrem
Enquanto me deito aos prantos.
Como minha mãe, faltaste-me em tudo,
Como pai mataste minhas alegrias,
Solto, nada me resta,
Como prêmio ou por piedade.
Ó! vida, Ó! Cruéis dias!
Que passam-me desapercebidos,
Voltem pra ver teu filho
Andar por trilhos tão tortuosos.
Amar é doar-se, compreenda-me
E o vazio arranca-me os pedaços,
Não me deixa à sorte ou ao surto,
Aqui não há colo que me acolha prontamente;
Aqui é só frio e solidão,
E a fronte banhada a drama;
Ungida da dor de meus dias,
Tão secos, esquecidos e inúteis.
Acabei-me aqui em meu quarto,
E nas calçadas destroçadas das ruas.
Acabei-me aqui sem sombra,
E sem sombra de dúvida.
Entre os cães hei de sentar, certamente,
Compartilhando sua vida sem rumo
E com eles hei de comer o banquete
Esquecendo-me de como é ser humano.
Agradeço-te e deixo tudo aquilo
que conquistei em minha vida breve.
Ficam meu adeus e meus pêsames,
Pelo garoto que aqui morava.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nos Braços da Queda e da Despedida

Por favor, garota, me segure
Quando em queda livre me veres;
Não sou livre nem para que caia,
Pois não mereço que o chão me atinja.
Braços firmes para a despedida,
Braços firmes e laços fracos, garota.
Amigos mortos, ou apenas em potencial,
Essas coisas que não importam quando nos sentimos só.
Não sei falar de amor, mas, juro:
A queda é gloriosa arte!
Aos anjos não mais apetece; Me importo, juro!
Por isso são anjos, dirias -
Ou só por terem asas mais fortes que as minhas.
Mas garota se olhares firme em meus olhos
(Ainda que fosses capaz de ver através deles)
Nada poderás ver, se não minha alma tosca...
Mas não hoje, pela tarde, ao som daqueles antigos vinis,
Mas não hoje, enquanto saboreio meu café;
Não falemos mais de corações impuros!
Vamos agora cantarolar a vitória dos gloriosos;
Cala-te! Esqueça os pobres de espírito como eu,
Vamos celebrar a vida e mendigar por um mísero cigarro em mãos;
Uma derrota na vida já me basta e,
essa conversa mole, por vezes adoece até os mais fortes.
Não sou forte, isto me recorda, mas
Talvez você, com tua gloriosa imagem, o seja.
Você com tua imagem e corpo tão firmes,
E teus braços, teus braços nos meus como naquelas outras noites.
Que noites; De frio tão mais belo que este de queda livre...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nos Olhos do Garoto Morto

Contempla a Solidão com olhar sempre triste;
Por trás dos campos da vida, nasce uma noite de morte,
Isto é tudo que o garoto agora enxerga.
Sentado ao lado de cães e criaturas vis,
Mastiga o alimento de aspecto funesto,
Tentando saborear algum gosto em estar frente à frente com a angústia.
Tais visões do inferno, tais paladares tão horrendos
E agora esta Areia cortando as pálpebras...
Ó, Garoto! Queres mesmo acordar?
Lágrimas para o fogo que habitava os olhos,
Seres malditos à salgar sua alma descrente
Em um dia em que haverá uma razão para erguer a cabeça.
Contempla os sonhos como cadáveres nunca vivos,
Estiveram um dia tão frios quanto hoje?
Houveram dias ainda mais tristes que estes em que vive?
Deus sequer criou ser tão vazio quanto!
Sequer nasceram epocas de lábios tão secos e rachados!
E que rissem da criação de Deus, e sangrassem por existir tão humanos.
E nem vento vem soprar a poeira nos vãos dos ossos;
Nem tempestade limpar o sangue dos dentes;
Dos olhos alertas para ameaçadoras quimeras.
Quimera de ti é tu mesmo, garoto! Antes tua matéria putreface,
E caissem ao chão seus dedos duros se contorcendo!
Ó, olha só! Se foi aquele garoto...
Teias de aranha agora cobrem seu espírito inabitável,
E de cima das covas, mães cegas ainda gritam, aos prantos
Ó! Garoto Morto! Volta à Sorrir!
Ó! Garoto Morto! Volta à Andar!
Ó! Garoto Morto....