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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Véus em Chamas

São véus que cobrem os rostos
E os seios daquelas mulheres.
Cores medonhas carregavam seus templos interiores,
Em infinitos Natais ocos banhados;
Em outros, rostos feridos pelas chamas
E à esbanjar da fome de Deuses sublimes
Fitavam paredes pálidas e espelhos d'água,
Almejando aprender a amar.
Hoje, às vezes são olhos inúteis e secos;
Fechados por medo e por ignorância
E só os cavalos restam
Dançando nos sinceros desertos da solidão.
Mas, em outros momentos,
Os corvos que caçavam cadáveres pútridos,
Se vão e deixam em paz os animais
Para saborearem a essência plena em existir.
Nestes rituais de passos simples,
Faço de mim um estranho entre os dançarinos,
Olhar também ferido pelas quimeras
E ofuscado pelo calor e a luz,
À fim de ter fome como a fome daqueles espíritos.
São os véus que cobriam os rostos, caindo,
Faziam com que nós nos tornássemos mais cinzas, mas
Que o fogo, agora, desfigure nossos rostos,
Tornemo-nos nós mesmos as cinzas do que fomos;

"Let's dance, little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again..

Won't you dance with me
In my world of fantasy?
Won't you dance with me
In a Ritual of Fertility?"

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Valsa

Cravamos os nomes em árvores altas e inertes
Enquanto entre a neblina, a cidade desaparecia em cinzas;
Caminhamos por parques inabitáveis
Almejando nunca voltar a viver em casas solitárias.
As mães em véus negros nos aguardavam aos prantos
Mas sem que suas preces fossem ouvidas.
Nossos erros eram, agora, irreparáveis
Partimos sem volta, partidos ao meio.
Todo sonho haveria de ser enterrado,
E toda guerra cessaria em instantes
Por sermos um e dois à deriva e deitarmos lado a lado.
Em grupos, mímicos invadiram as ruas,
Em vestes sem cor, dançavam tristemente.
Segurando firme nos braços da coragem
Saltamos da maior ponte já construída,
À fim de jamais regressarmos à mares tortuosos.
A chuva haveria de lavar o coração das ruas
E novos caminhos nos seriam traçados.
Garotas habitavam as escadas dos edifícios,
Observavam de baixo as solas de nossos sapatos;
Vidas verdes e bondosas às seriam dadas,
Sob a luz da beleza de jasmins outrora esquecidas.
Outro inverno inglês se prostrava sobre nossos cabelos grisalhos,
Nos sentamos à varanda, para observar o fim das flores;
Nossos corações batiam murchos na noite infinda,
Mas completos por termos vivido ternamente.
Os insetos se descobriam entre frestas na madeira,
Nos cumprimentando e saudando nossas existências...
À limpas vestes e espontâneos bons modos,
Saboreamos ao lado deles a última ceia;
Aprendera a ser homem com os lobos lá fora,
Agora, deixaria que a vida dançasse comigo uma última valsa.

"So you come up to me and spit right in my face
And I didn't even feel it, it was such a disgrace
And I punched my fist right through the glass
Well, I didn't even feel it, 'cause it happened so fast

Such fun, so fun, fun, fun... Real fun"