Tempo esgotado.
Saimos da infância para entrar em queda livre
Só então vimos o quanto correr demais
Escurecera nossas vistas e enfraquecera nossas pernas.
Você me disse, com os olhos,
Que um dia poderíamos voltar e que nossos quartos estariam iguais,
Que nossas mães não teriam rugas nos rostos,
Que nossos pais não teriam as mãos machucadas,
Então perdi o medo,
Mas tive que calar o coração com álcool,
Pra suportar a estrada até lá.
E agora pegar os cacos de vidro que deixamos pra trás
Faz sangrar demais
Não porque fomos traídos, mas porque é seu papel no mundo.
Criamos cães que nos odeiam
Por tê-los esquecido, deixado na sarjeta.
Você não vê, agora, que não sabemos ler as placas
E entender os sinais de que estamos totalmente perdidos?
E você nunca vai pedir desculpas.
Mesmo engolido pelas sombras das máquinas dessa cidade,
Você não vai pedir desculpas.
Mesmo que se arrependa a cada segundo.
São tantas as pessoas sobre as pernas-de-pau do ego
Inflando como balões e chegando perto demais do Sol
E são tantas outras que enfiam a cabeça em sacos plásticos
Para não ter que ver o quanto dói existir;
E agora que nossas pernas estão fracas demais pra fugir,
Da escolha que temos que fazer
Precisamos de mais tempo.
E..
Saber que o tempo se esgotou..
Dói demais.
"Eu caminhei,
Não podia fazer nada além de caminhar
E então..
Me vi caminhando na frente de mim mesmo.
Cuidado com o vão da porta.
É uma realidade separada.
O único eu sou eu
Tem certeza
De que o único você é você?"
quarta-feira, 30 de março de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
Comum a Todos os Homens
Tudo que você ama um dia o deixará.
o que ficar, o irá destruir.
Dito isso, resta o silêncio.
Aquele que odeias com todas as forças,
que, como um demônio insone,
Não o deixa pregar os olhos na noite.
E, se agarras, com unhas e dentes,
a vista d'uma janela de apartamento
Para convencer-te de que há, ainda, algo de belo
Nas noites em que é possível ver a lua,
Talvez veja, esta mesma janela,
Teu corpo ser lançado, aflito e desesperançoso
No abismo comum a todos os homens.
Pois todo ser na Terra quis, por uma noite,
ter surdos os ouvidos para os nomes de seus amores,
E cada coração despedaçado
Ansiou triste o abraço e o calor de alguém que fosse
Mesmo que por piedade ou tédio.
Tu, que busca num copo de conhaque
As mãos afáveis de uma mãe
Encontrará, assustado, as sombras macabras dos chicotes de teu pai.
E tu, que gritas no escuro,
Fera aleijada pelo descaso, cheia de vazio e angústia,
Terá cem dedos e, ainda assim, há de perder a conta dos fracassos.
Pois teu Deus não é Pai, nem filho,
Teu Deus é carne, osso e fumaça
E se a ele és Fiel, como uma esposa estuprada
Calada e repreendida incontáveis vezes,
Ele, como tudo que um dia amaste,
O deixará, enquanto dormes.
o que ficar, o irá destruir.
Dito isso, resta o silêncio.
Aquele que odeias com todas as forças,
que, como um demônio insone,
Não o deixa pregar os olhos na noite.
E, se agarras, com unhas e dentes,
a vista d'uma janela de apartamento
Para convencer-te de que há, ainda, algo de belo
Nas noites em que é possível ver a lua,
Talvez veja, esta mesma janela,
Teu corpo ser lançado, aflito e desesperançoso
No abismo comum a todos os homens.
Pois todo ser na Terra quis, por uma noite,
ter surdos os ouvidos para os nomes de seus amores,
E cada coração despedaçado
Ansiou triste o abraço e o calor de alguém que fosse
Mesmo que por piedade ou tédio.
Tu, que busca num copo de conhaque
As mãos afáveis de uma mãe
Encontrará, assustado, as sombras macabras dos chicotes de teu pai.
E tu, que gritas no escuro,
Fera aleijada pelo descaso, cheia de vazio e angústia,
Terá cem dedos e, ainda assim, há de perder a conta dos fracassos.
Pois teu Deus não é Pai, nem filho,
Teu Deus é carne, osso e fumaça
E se a ele és Fiel, como uma esposa estuprada
Calada e repreendida incontáveis vezes,
Ele, como tudo que um dia amaste,
O deixará, enquanto dormes.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Quem me dera
Quem me dera
Deixar a vida passar
Através do meu corpo
Sem peso.
Não me ajoelhar
Para olhar nos olhos
A criança que sou
Escondida embaixo
Do tapete imundo,
Atrás do sofá barato,
Da cortina de tecido ruim.
Quem me dera
Ouvir meu nome e não
Sentir vergonha.
Quem me dera
Deixar quietos, dormindo
Meus erros e falhas
Não empilhá-los
Sobre minhas costas
E não tentar
Subir montanhas inalcançáveis.
Nem tentar,
Por saber
Que qualquer um conseguiria
Menos eu.
Quem me dera
Não saber disso.
Reis, todos eles
Sobre os montes onde
Me curvo,
E morro todo dia.
Nos morros onde sou pó,
Deuses e heróis.
Eu, coveiro de mim mesmo
Me enterro,
Cavando, com as unhas, a terra.
E, por baixo da terra,
O fracasso;
Alimento para as árvores,
O medo;
Enxarcando-lhes as raízes.
'Elas zombam de mim.
Suas vozes
Sangram meus ouvidos
Espero que a surdez as cale.
Até lá, sufoco.
Nos vales onde
Caminho toda noite,
Sou só mais um moribundo.
Piso sobre as lápides
Mas nem os mortos
Se incomodam comigo.
Nesses vales
Todos são mais fortes que eu
Me enfrentam
Em batalhas imaginárias
E antes que
Empunhe as armas
Que sequer tenho
Já estou derrotado,
Pois assim nasci
E porque está
Tatuada em meu corpo
A fraqueza
De ser eu mesmo.
Quem me dera
Não sabe disso.
Vou acordar mais um dia
Contra todas
As expectativas
E vou chutar
As pedras que estiverem
No caminho,
Mas elas ainda
Estarão lá quando
For a hora de voltar.
E quando me deitar
Não vou dormir
Porque elas se deitarão
Comigo em minha cama.
E quando tentar sonhar
Com os olhos ardendo
Tamanho o cansaço
Por não pregar os olhos há dias,
Meu coração doerá
Porque elas jamais
Me abandonarão novamente.
E quanto mais..
Quanto mais eu tento
Me livrar de tudo isso
Quanto mais eu tento
Esquecer quem sou
Disfarçar a miséria
Enxergar alguma
Beleza na vida, sequer
Algo leve, que seja.
Mais percebo
Que
Talvez não
Pertença..
Ao mundo dos vivos..
Quem me dera..
Não saber disso..
Deixar a vida passar
Através do meu corpo
Sem peso.
Não me ajoelhar
Para olhar nos olhos
A criança que sou
Escondida embaixo
Do tapete imundo,
Atrás do sofá barato,
Da cortina de tecido ruim.
Quem me dera
Ouvir meu nome e não
Sentir vergonha.
Quem me dera
Deixar quietos, dormindo
Meus erros e falhas
Não empilhá-los
Sobre minhas costas
E não tentar
Subir montanhas inalcançáveis.
Nem tentar,
Por saber
Que qualquer um conseguiria
Menos eu.
Quem me dera
Não saber disso.
Reis, todos eles
Sobre os montes onde
Me curvo,
E morro todo dia.
Nos morros onde sou pó,
Deuses e heróis.
Eu, coveiro de mim mesmo
Me enterro,
Cavando, com as unhas, a terra.
E, por baixo da terra,
O fracasso;
Alimento para as árvores,
O medo;
Enxarcando-lhes as raízes.
'Elas zombam de mim.
Suas vozes
Sangram meus ouvidos
Espero que a surdez as cale.
Até lá, sufoco.
Nos vales onde
Caminho toda noite,
Sou só mais um moribundo.
Piso sobre as lápides
Mas nem os mortos
Se incomodam comigo.
Nesses vales
Todos são mais fortes que eu
Me enfrentam
Em batalhas imaginárias
E antes que
Empunhe as armas
Que sequer tenho
Já estou derrotado,
Pois assim nasci
E porque está
Tatuada em meu corpo
A fraqueza
De ser eu mesmo.
Quem me dera
Não sabe disso.
Vou acordar mais um dia
Contra todas
As expectativas
E vou chutar
As pedras que estiverem
No caminho,
Mas elas ainda
Estarão lá quando
For a hora de voltar.
E quando me deitar
Não vou dormir
Porque elas se deitarão
Comigo em minha cama.
E quando tentar sonhar
Com os olhos ardendo
Tamanho o cansaço
Por não pregar os olhos há dias,
Meu coração doerá
Porque elas jamais
Me abandonarão novamente.
E quanto mais..
Quanto mais eu tento
Me livrar de tudo isso
Quanto mais eu tento
Esquecer quem sou
Disfarçar a miséria
Enxergar alguma
Beleza na vida, sequer
Algo leve, que seja.
Mais percebo
Que
Talvez não
Pertença..
Ao mundo dos vivos..
Quem me dera..
Não saber disso..
sexta-feira, 18 de março de 2016
Laranja e Verde
Tivesse alguém me dito
Que as folhas que cairam jamais seriam verdes novamente
Que os filhos que não nasceram, jamais cresceriam para ver o mundo
Talvez seria menos otimista ainda.
(Por incrível que pareça)
Mas não me disseram e, esperando a próxima estação
Esgotei-me
E já não tenho entusiasmo que faça com que o tempo volte.
Outrora os céus se enchiam do laranja de teu cabelo
E o oceano vestia-se do verde de teus olhos
Agora só há cinza, no céu e no oceano.
Viraste as costas e deste de ombros ao mundo
Cuspiste nas estátuas uma vez erguidas em teu nome,
Escarraste em mim, em cada palavra que saiu de minha boca.
Eu fui sincero, me doei
E já não tenho voz e nem forças pra curar minha mudez.
A cidade está vazia e assim permanecerá,
Todos foram visitar seus pais,
Alguém a quem tenham, alguém a quem amam.
Levam flores; presenteiam vivos e mortos.
E pra mim, tu estás morta,
E, mesmo que estejas enterrada em meu jardim,
Não quero mais visitar-te; ver teu rosto
E sentir o desprezo em teus olhos estáticos,
Já não tenho flores pra colher pra ti, afinal.
A cidade está vazia e cada vez mais distante.
Todos mudaram-se para um lugar melhor,
Um jardim gentil, alguma outra cidade sem nome.
Poderia pintá-la enquanto dormem
Tirar forças da alma e tingir aço e asfalto
Mas o cinza é mais forte que eu,
E já não existe cor que possa curá-lo.
E foi assim que a vida correu,
Tivesse alguém me dito que assim seria,
Talvez seria menos otimista ainda
E teria me poupado de ficar olhando pro mundo
Pro resto de minha vida miserável
Esperando alguma coisa sequer
Que me lembre como era
Antes de você ir embora.
Que as folhas que cairam jamais seriam verdes novamente
Que os filhos que não nasceram, jamais cresceriam para ver o mundo
Talvez seria menos otimista ainda.
(Por incrível que pareça)
Mas não me disseram e, esperando a próxima estação
Esgotei-me
E já não tenho entusiasmo que faça com que o tempo volte.
Outrora os céus se enchiam do laranja de teu cabelo
E o oceano vestia-se do verde de teus olhos
Agora só há cinza, no céu e no oceano.
Viraste as costas e deste de ombros ao mundo
Cuspiste nas estátuas uma vez erguidas em teu nome,
Escarraste em mim, em cada palavra que saiu de minha boca.
Eu fui sincero, me doei
E já não tenho voz e nem forças pra curar minha mudez.
A cidade está vazia e assim permanecerá,
Todos foram visitar seus pais,
Alguém a quem tenham, alguém a quem amam.
Levam flores; presenteiam vivos e mortos.
E pra mim, tu estás morta,
E, mesmo que estejas enterrada em meu jardim,
Não quero mais visitar-te; ver teu rosto
E sentir o desprezo em teus olhos estáticos,
Já não tenho flores pra colher pra ti, afinal.
A cidade está vazia e cada vez mais distante.
Todos mudaram-se para um lugar melhor,
Um jardim gentil, alguma outra cidade sem nome.
Poderia pintá-la enquanto dormem
Tirar forças da alma e tingir aço e asfalto
Mas o cinza é mais forte que eu,
E já não existe cor que possa curá-lo.
E foi assim que a vida correu,
Tivesse alguém me dito que assim seria,
Talvez seria menos otimista ainda
E teria me poupado de ficar olhando pro mundo
Pro resto de minha vida miserável
Esperando alguma coisa sequer
Que me lembre como era
Antes de você ir embora.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Quem Dorme na Noite de Terça
"Quem é que dorme na noite de terça?"
...
Todo mundo dorme na noite de terça..
Menos quem está angustiado,
Esses estão se revirando na cama;
Os que trabalham demais,
Estão calculando quanto tempo falta para acordar;
E aqueles que são ansiosos...
Certamente sonham acordados com o que vai dar errado depois;
Também não dorme quem está triste,
As lágrimas os acordam a cada segundo;
Quem não tem paz,
Os ouvidos zombem e não os deixam pregar os olhos;
As crianças, como dormiriam..
Se há monstros embaixo do estrado de madeira?;
Todos dormem na noite de terça,
Mas os que se importam fecham os olhos e ainda veem coisas;
E os que se inspiram pela dor,
Estão acordados porque nem perceberam o cair da noite;
Alguns estão sozinhos, deveriam dormir,
Mas a solidão tem as mãos frias sobre sua pele;
Aos que temem a noite,
Suas noites são meses de olhos abertos..
Os pais também, só fingem que dormem
Pois seus filhos choram alto pelos cômodos..
Ah! e os que tem fome,
Porque não há cama para que se deitem;
Eu.. Aqui.. Também não durmo!
E, deitado, algo me vem a cabeça:
"Quem é mesmo que dorme, nessa maldita noite de terça?"
...
Todo mundo dorme na noite de terça..
Menos quem está angustiado,
Esses estão se revirando na cama;
Os que trabalham demais,
Estão calculando quanto tempo falta para acordar;
E aqueles que são ansiosos...
Certamente sonham acordados com o que vai dar errado depois;
Também não dorme quem está triste,
As lágrimas os acordam a cada segundo;
Quem não tem paz,
Os ouvidos zombem e não os deixam pregar os olhos;
As crianças, como dormiriam..
Se há monstros embaixo do estrado de madeira?;
Todos dormem na noite de terça,
Mas os que se importam fecham os olhos e ainda veem coisas;
E os que se inspiram pela dor,
Estão acordados porque nem perceberam o cair da noite;
Alguns estão sozinhos, deveriam dormir,
Mas a solidão tem as mãos frias sobre sua pele;
Aos que temem a noite,
Suas noites são meses de olhos abertos..
Os pais também, só fingem que dormem
Pois seus filhos choram alto pelos cômodos..
Ah! e os que tem fome,
Porque não há cama para que se deitem;
Eu.. Aqui.. Também não durmo!
E, deitado, algo me vem a cabeça:
"Quem é mesmo que dorme, nessa maldita noite de terça?"
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Tibet Emocional
No alto do Tibet existe um corpo
À ser encontrado quando Deus
Já não quiser o bem do mundo e dos homens.
Há anos exposta ao frio,
Sob seu corpo há uma semente que jamais germinará.
Abraçados de forma torta, riem
- Ventres inócuos que possuem, jamais ousariam lacrimejar.
De tempos em tempos, sopra o vento seu mantra eterno:
"Apenas um instante e todo corpo será desmembrado,
Um piscar de olhos e não haverão mais os sentidos,
Estará tudo perdido no vasto manto de neblina que cobre esta região".
No alto do Tibet, não existe lei maior que a solidão:
Todo corpo é periférico,
Todo templo está adoecido, curado de sua própria humanidade.
É difícil acreditar que cairemos quando não estamos no topo,
Mas as quedas, às vezes, nos acordam antes mesmo de dormir.
Há este rapaz, então, há muito imóvel, no interior do mundo.
Conta-se a história de seu fim,
Tal como contam a história de como o mundo virá a acabar:
Fechou os olhos, fingiu adormecer
E aguardou que todos saíssem de seu lar,
Quieto e sem fazer alarde, jamais moveu-se novamente.
Nas paredes de seu quarto estão, supostamente,
Escritas suas últimas palavras:
-"Vou simular um coma eterno,
Para que não sintais remorso
Quando derrubarem meu corpo, num tropeço.
E quando estiver no chão,
Explicai-me então, de uma vez por todas,
Falando em alto e bom tom, o motivo pelo qual
Mesmo com os braços de mil homens e mulheres,
Sou incapaz de tocar-lhes e,
Mesmo com cem mil olhos no rosto,
Sequer fui capaz..
De derramar uma só lágrima."
Jamais um só ruído se ouviu naquela região.
À ser encontrado quando Deus
Já não quiser o bem do mundo e dos homens.
Há anos exposta ao frio,
Sob seu corpo há uma semente que jamais germinará.
Abraçados de forma torta, riem
- Ventres inócuos que possuem, jamais ousariam lacrimejar.
De tempos em tempos, sopra o vento seu mantra eterno:
"Apenas um instante e todo corpo será desmembrado,
Um piscar de olhos e não haverão mais os sentidos,
Estará tudo perdido no vasto manto de neblina que cobre esta região".
No alto do Tibet, não existe lei maior que a solidão:
Todo corpo é periférico,
Todo templo está adoecido, curado de sua própria humanidade.
É difícil acreditar que cairemos quando não estamos no topo,
Mas as quedas, às vezes, nos acordam antes mesmo de dormir.
Há este rapaz, então, há muito imóvel, no interior do mundo.
Conta-se a história de seu fim,
Tal como contam a história de como o mundo virá a acabar:
Fechou os olhos, fingiu adormecer
E aguardou que todos saíssem de seu lar,
Quieto e sem fazer alarde, jamais moveu-se novamente.
Nas paredes de seu quarto estão, supostamente,
Escritas suas últimas palavras:
-"Vou simular um coma eterno,
Para que não sintais remorso
Quando derrubarem meu corpo, num tropeço.
E quando estiver no chão,
Explicai-me então, de uma vez por todas,
Falando em alto e bom tom, o motivo pelo qual
Mesmo com os braços de mil homens e mulheres,
Sou incapaz de tocar-lhes e,
Mesmo com cem mil olhos no rosto,
Sequer fui capaz..
De derramar uma só lágrima."
Jamais um só ruído se ouviu naquela região.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Tu, Teu Ventre e o Passado
Nos abraçamos, um dia,
Eu com minha cabeça por sobre teu ventre e,
Teu ventre agora é passado.
Emboloramos lado a lado, mas não juntos,
Esquecidos embaixo da mesa, nem mesmo os vermes nos quiseram comer.
Nos vãos, nas frestas do assoalho, éramos nós,
Como uma borboleta que sai do casulo,
Apenas para tentar alçar voo, falhar e ser engolida pelas dores do mundo.
Nós agora somos passado;
Foi assim que pereceremos.
Me lembro bem dos sonhos que tinha
- Sobre um morro de carvão onde os monges caminhavam,
Descalços, jamais urravam ou gemiam, pisavam firme.
Lá em cima, não havia leito para se deitar,
Lá em cima, não havia sono à saciar,
Apenas os pés descalços sobre as dores do que já havia virado cinza. -
Tais sonhos agora são passado.
[Tenho para mim que jamais serei monge]
Aqui, a verdade é a sarjeta.
Dela brota todo tipo de vida podre,
Que se arrasta pelo chão frio à implorar por socorro.
E foi assim que um dia, no passado,
Vieste até mim e nos abraçamos.
Aqueles abraços, agora, são passado,
E - embora estejamos lado a lado -
Sequer somos capazes de tocar um ao outro.
Eu com minha cabeça por sobre teu ventre e,
Teu ventre agora é passado.
Emboloramos lado a lado, mas não juntos,
Esquecidos embaixo da mesa, nem mesmo os vermes nos quiseram comer.
Nos vãos, nas frestas do assoalho, éramos nós,
Como uma borboleta que sai do casulo,
Apenas para tentar alçar voo, falhar e ser engolida pelas dores do mundo.
Nós agora somos passado;
Foi assim que pereceremos.
Me lembro bem dos sonhos que tinha
- Sobre um morro de carvão onde os monges caminhavam,
Descalços, jamais urravam ou gemiam, pisavam firme.
Lá em cima, não havia leito para se deitar,
Lá em cima, não havia sono à saciar,
Apenas os pés descalços sobre as dores do que já havia virado cinza. -
Tais sonhos agora são passado.
[Tenho para mim que jamais serei monge]
Aqui, a verdade é a sarjeta.
Dela brota todo tipo de vida podre,
Que se arrasta pelo chão frio à implorar por socorro.
E foi assim que um dia, no passado,
Vieste até mim e nos abraçamos.
Aqueles abraços, agora, são passado,
E - embora estejamos lado a lado -
Sequer somos capazes de tocar um ao outro.
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