As cinzas caem com a leveza de uma doença degenerativa;
Um comediante morreu esta noite.
Seu intestino se espalha pelas entranhas
E motores de uma máquina, que segue respirando.
A chuva lava o que sobrou do asfalto.
Sangue pisado é o que se fez de seu potencial
De suas conquistas...
Uma criança chora no quintal,
Não vai conhecer o pai.
Agora mais negro que nunca, carvão; fumaça;
O punho no rosto, no estômago, no muro
Nas costas..
E todos caimos de joelho.
Lacrem a merda do caixão, não vou chorar dessa vez.
Lance o corpo no fosso, jogue terra em cima,
Não quero saber de mais nada.
O mundo rui à cada segundo,
Este é o mal do qual padecemos.
- Vá com Deus, meu querido..
Vá para casa, vá para casa e diga a seus pais que tudo ficará bem.
"Better off Dead, Better off Dead
A Smile on the lips and a hole in the Head"
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
O Palhaço
Não possuo traços para sorrir.
Em meu rosto crava-se a essência do espírito.
Encerro-me em solidão e câncer.
Procure entre os dentes
De um andarilho frustrado e vai me encontrar;
Mesmo se os olhos de uma quimera fossem capazes
De atravessar o véu que cobre meu corpo
E me tocar com mãos que me dissessem para dormir tranquilo,
Não seria capaz de suspirar aliviado...
Uma espécie de palhaço veio até mim,
Era cedo e as maçãs de uma cidade fantasma
Banhavam-se no leve frescor que às faria deliciosas;
Com um cigarro preso entre os dedos,
O palhaço celebrava o fim dos amores:
"Bem aventurados sejam os pobres de espírito!
Bem aventurados sejam os vencedores!..."
Permaneci em silêncio, paralisado,
Voltei os olhos pro chão, onde a brasa,
Recém liberta do papel, tocou o chão e,
Em alguns segundos se apagou,
Mas não quebrei a vigília
Pela qual eles arrastavam as pálpebras,
Nem as libertei da areia e dos pregos;
Então, como um pastor que anuncia o fim dos tempos e,
Sobrepondo a minha voz à dele,
Que soava incessantemente, retruquei:
"Entendo que seja um palhaço,
Agora, por favor, cale essa boca!
O amor morreu há muito, todos estão cansados de saber.
Por estas ruas, sequer existiu!
Meus traços não me permitem sorrir,
Pois não sou palhaço. Nem ao menos sou humano!
-Assemelho-me à esta brasa,
Que no chão apenas espera apagar-se.
Agora vá embora!"
O palhaço calou,
O palhaço chorou..
O palhaço partiu...
Em meu rosto crava-se a essência do espírito.
Encerro-me em solidão e câncer.
Procure entre os dentes
De um andarilho frustrado e vai me encontrar;
Mesmo se os olhos de uma quimera fossem capazes
De atravessar o véu que cobre meu corpo
E me tocar com mãos que me dissessem para dormir tranquilo,
Não seria capaz de suspirar aliviado...
Uma espécie de palhaço veio até mim,
Era cedo e as maçãs de uma cidade fantasma
Banhavam-se no leve frescor que às faria deliciosas;
Com um cigarro preso entre os dedos,
O palhaço celebrava o fim dos amores:
"Bem aventurados sejam os pobres de espírito!
Bem aventurados sejam os vencedores!..."
Permaneci em silêncio, paralisado,
Voltei os olhos pro chão, onde a brasa,
Recém liberta do papel, tocou o chão e,
Em alguns segundos se apagou,
Mas não quebrei a vigília
Pela qual eles arrastavam as pálpebras,
Nem as libertei da areia e dos pregos;
Então, como um pastor que anuncia o fim dos tempos e,
Sobrepondo a minha voz à dele,
Que soava incessantemente, retruquei:
"Entendo que seja um palhaço,
Agora, por favor, cale essa boca!
O amor morreu há muito, todos estão cansados de saber.
Por estas ruas, sequer existiu!
Meus traços não me permitem sorrir,
Pois não sou palhaço. Nem ao menos sou humano!
-Assemelho-me à esta brasa,
Que no chão apenas espera apagar-se.
Agora vá embora!"
O palhaço calou,
O palhaço chorou..
O palhaço partiu...
domingo, 9 de dezembro de 2012
O Novo Legado
Deixe ruir ao redor
Com seu típico olhar de pena
Imitando malditas hienas
Rindo sem nenhum pudor;
E'ste será o sentido da vida
O reinado dos imbecis
Um rastro do inferno em gris
E uma história corrompida.
Avante! Avante soldado!
Avante e sem coração!
Somente a espada em mãos
E o peito dilacerado. [Em frente!]
Em frente! Em frente soldado!
Enfrente, sem alma!
Pois o tempo não acalma
O ódio de nosso legado!
A morte de nossas mães
Em agonia e desgosto
As lágrimas para o rosto
E o espírito para os cães.
Com seu típico olhar de pena
Imitando malditas hienas
Rindo sem nenhum pudor;
E'ste será o sentido da vida
O reinado dos imbecis
Um rastro do inferno em gris
E uma história corrompida.
Avante! Avante soldado!
Avante e sem coração!
Somente a espada em mãos
E o peito dilacerado. [Em frente!]
Em frente! Em frente soldado!
Enfrente, sem alma!
Pois o tempo não acalma
O ódio de nosso legado!
A morte de nossas mães
Em agonia e desgosto
As lágrimas para o rosto
E o espírito para os cães.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Os Filhos
A floresta sagrada queima
Em nossos pulmões, como carvão;
Os edifícios cobrem o Sol
E a fumaça cega os pássaros..
Pagamos o preço de escolher
Entre uma existência barata e rasa
E tantas outras, insalubres.
Os fogos de artifício e o desgaste anunciam:
- É tempo de deixar para trás
Estátuas distribuídas pela cidade,
Quais aquelas que admirávamos tanto;
Deixar de lado os próprios braços
Que tanto impedem que nossos filhos cresçam -
Egoístas, por sentirem-se sós e
Ingratos, por cortar os braços
Num banheiro imundo..
É tempo de rasgar a pele e gritar pela janela
Toda a dor de acordar mais um dia -
Jogo tudo pelo ralo e sorrio,
E posso ouvir os aplausos dos ratos,
Escondidos entre as frestas do meu peito..
Posso ouvir a aflição dos cães,
Que correm para as ruas,
À fim de ouvir o último badalar dos sinos..
E Em meio a poeira,
antes varrida para debaixo dos tapetes
E agora nos irritando os olhos,
Telhados queimam, Filhos morrem,
Pontes se desfazem..
E sobre as pontes que naufragam rumo ao esquecimento..
Eu.
Em nossos pulmões, como carvão;
Os edifícios cobrem o Sol
E a fumaça cega os pássaros..
Pagamos o preço de escolher
Entre uma existência barata e rasa
E tantas outras, insalubres.
Os fogos de artifício e o desgaste anunciam:
- É tempo de deixar para trás
Estátuas distribuídas pela cidade,
Quais aquelas que admirávamos tanto;
Deixar de lado os próprios braços
Que tanto impedem que nossos filhos cresçam -
Egoístas, por sentirem-se sós e
Ingratos, por cortar os braços
Num banheiro imundo..
É tempo de rasgar a pele e gritar pela janela
Toda a dor de acordar mais um dia -
Jogo tudo pelo ralo e sorrio,
E posso ouvir os aplausos dos ratos,
Escondidos entre as frestas do meu peito..
Posso ouvir a aflição dos cães,
Que correm para as ruas,
À fim de ouvir o último badalar dos sinos..
E Em meio a poeira,
antes varrida para debaixo dos tapetes
E agora nos irritando os olhos,
Telhados queimam, Filhos morrem,
Pontes se desfazem..
E sobre as pontes que naufragam rumo ao esquecimento..
Eu.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O Cão que Não Soube Odiar
Não sou capaz de sorrir..
Devolvam-me a alegria;
Façam-me florir,
Mostrem-me um novo dia!
Ou deixem-me em paz,
Pra m'afogar
Entre o desafeto..
Não suporto mais
Me arrastar,
Deixem-me quieto.
Encarno um cão sem alma
Co'as entranhas na calçada;
Tarda a sorte escassa
Sob a luz da lua, pálida..
O caos de seu ódio, respiro,
Deixem-me aqui, trancado,
Me esqueçam, sou tempo perdido,
É minha culpa ser rejeitado..
Mesmo que finja,
Me preparar p'rum recomeço,
Toque-me e sinta,
Por fora, vivo..
Por dentro, apodreço..
Devolvam-me a alegria;
Façam-me florir,
Mostrem-me um novo dia!
Ou deixem-me em paz,
Pra m'afogar
Entre o desafeto..
Não suporto mais
Me arrastar,
Deixem-me quieto.
Encarno um cão sem alma
Co'as entranhas na calçada;
Tarda a sorte escassa
Sob a luz da lua, pálida..
O caos de seu ódio, respiro,
Deixem-me aqui, trancado,
Me esqueçam, sou tempo perdido,
É minha culpa ser rejeitado..
Mesmo que finja,
Me preparar p'rum recomeço,
Toque-me e sinta,
Por fora, vivo..
Por dentro, apodreço..
Credo
Agora já tarda
A lua no céu, branca.
Cedo, um cão, soberano
A lamber as tripas do asfalto.
Crédulo, entre espasmos,
Partir os céus por pão.
Seguimos, em marcha,
Para poder chorar juntos,
O amor ultrajado
Entre véus descrentes.
São tantos tons de preto
Em minha face
Que já não sei qual vestir.
É tudo tão cego, no horizonte.
Já tarda, a noite,
Não adianta fechar as cortinas,
E orar por um estupro;
Posso lidar com essa dor,
Só me dê um tempo,
Para descansar a cabeça.
Não me destaquei,
Entre os mímicos,
Surdos por natureza;
E acariciei as traças como àmigas;
Não me sobressai,
E a lua, cortês, me sorriu,
Um adeus companheiro.
A lua no céu, branca.
Cedo, um cão, soberano
A lamber as tripas do asfalto.
Crédulo, entre espasmos,
Partir os céus por pão.
Seguimos, em marcha,
Para poder chorar juntos,
O amor ultrajado
Entre véus descrentes.
São tantos tons de preto
Em minha face
Que já não sei qual vestir.
É tudo tão cego, no horizonte.
Já tarda, a noite,
Não adianta fechar as cortinas,
E orar por um estupro;
Posso lidar com essa dor,
Só me dê um tempo,
Para descansar a cabeça.
Não me destaquei,
Entre os mímicos,
Surdos por natureza;
E acariciei as traças como àmigas;
Não me sobressai,
E a lua, cortês, me sorriu,
Um adeus companheiro.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Em Torno do Ódio
As moscas se uniram
E da merda planejam
Acabar com os anjos...
Desamarrem os pés das pombas,
Meus olhos secam
Diante de tanta maldade.
Deem-lhe novas asas,
Despencarei ao seu lado..
Arrancarão meus dentes,
Água escorrerá,
Fazendo dos campos, lama.
O verde há de se esconder
Entre carrancas de bronze,
E joelhos doloridos;
Ouvidos vão zunir..
Devolvam-me a alegria! Ela me pertence!
Meus olhos estão borrados,
Isso não é nada,
Um pequeno ralado nos pulmões;
Não é nada, mesmo..
As ruas estão fechadas,
Parece-me um velório.
Malditos! Estão envelhecendo!
Seus amores sofrerão de Alzheimer..
Malditos serão seus nomes!
Isso não é nada, perto do resto..
Vejo você em meus sonhos,
Cada vez mais bela,
Mais pálida, mais nua..
Coloco-a num pedestal torto
E a glorifico como à um anjo morto.
Entre cavalos, aflitos,
Com ódio no olhar e sangue nas veias,
Suas glórias me colocam de joelhos...
Fazei de mim, fiel, meu Deus!
Fazei de mim, fiel e
Colocai-me em cultos vazios.
Cala-me para sempre, senhor;
E na terra sucumbirá,
Numa caixa cheia de cupins
Meu corpo, inanimado.
E da merda planejam
Acabar com os anjos...
Desamarrem os pés das pombas,
Meus olhos secam
Diante de tanta maldade.
Deem-lhe novas asas,
Despencarei ao seu lado..
Arrancarão meus dentes,
Água escorrerá,
Fazendo dos campos, lama.
O verde há de se esconder
Entre carrancas de bronze,
E joelhos doloridos;
Ouvidos vão zunir..
Devolvam-me a alegria! Ela me pertence!
Meus olhos estão borrados,
Isso não é nada,
Um pequeno ralado nos pulmões;
Não é nada, mesmo..
As ruas estão fechadas,
Parece-me um velório.
Malditos! Estão envelhecendo!
Seus amores sofrerão de Alzheimer..
Malditos serão seus nomes!
Isso não é nada, perto do resto..
Vejo você em meus sonhos,
Cada vez mais bela,
Mais pálida, mais nua..
Coloco-a num pedestal torto
E a glorifico como à um anjo morto.
Entre cavalos, aflitos,
Com ódio no olhar e sangue nas veias,
Suas glórias me colocam de joelhos...
Fazei de mim, fiel, meu Deus!
Fazei de mim, fiel e
Colocai-me em cultos vazios.
Cala-me para sempre, senhor;
E na terra sucumbirá,
Numa caixa cheia de cupins
Meu corpo, inanimado.
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